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ano III - edição nº 09 - Outubro de 2007 Topo
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Metas do milênio longe de serem cumpridas

* Fabián Echegaray

Fabián EchegaraySete anos se passaram e as oito metas do milênio aprovadas em 2000 pela ONU permanecem, ainda hoje, ignoradas pela maioria da população mundial. O Brasil, país apontado como menos familiarizado com o projeto, comprometeu-se naquele momento, junto com 190 nações, a cumprir os objetivos sugeridos pelo programa até o ano 2015.

Faltando, então, menos de uma década para terminar o prazo assumido, uma porcentagem alta da população mundial desconhece o assunto, que já ganhou vastamente as mídias e que hoje transparece timidamente. De 19 países, onde foi realizada uma pesquisa pela Market Analysis e o instituto GlobeScan, 75% das pessoas não sabem nada sobre o tema. Nas nações desenvolvidas, esse número cai para 56%.

A proposta estipula ações em níveis nacional e internacional para reduzir a pobreza, frear o avanço do HIV e expandir a educação primária. Também incluem a redução da mortalidade em três quartos e da infantil em dois terços, além da promoção da igualdade de gênero, a autonomia da mulher e a sustentabilidade ambiental. Entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido.

As principais questões sociais, ambientais e econômicas, de dimensões globais, têm encontrado em seus países obstáculos e limites que acabam por travar a ultrapassagem de tais problemas e, principalmente, o alcance dos objetivos estabelecidos. A complexidade e amplitude destas dificuldades têm se mostrado maiores que a capacidade e a disposição da sociedade, do governo e da classe empresarial para enfrentá-los. É necessária uma transformação no paradigma governamental e social, envolvendo toda uma nação em uma busca dinâmica pelas metas sugeridas.

A maior parte da população mundial não caminha ao encontro do cumprimento destas metas. No Brasil, transitam centenas de projetos sociais. No entanto, o desconhecimento absoluto do assunto atinge ¾ dos cidadãos, resultando no maior grau de ignorância sobre o tema. Ainda é preciso uma disseminação maior de conceitos e possibilidades, uma vez que é rara a percepção que estas ações sociais possam impactar nos objetivos estabelecidos pela ONU. Sendo imprescindível levar este contexto para um amplo debate e buscar uma sinergia entre os movimentos empresariais e os gestores públicos no país, ampliando a discussão e estimulando resultados eficientes.

O Brasil ainda se encontra distante de cumprir as Metas do Milênio, mas tem em suas alternativas a chance de unir expectativas e trabalhar por uma consciência corporativa comprometida, amparada pela sociedade, e engajada em atuações que representem a concretização dos oito tópicos sugeridos. Seja por meio de propostas criativas de levar adiante importantes iniciativas ou pelo trabalho de propagação que deve ampliar a oportunidade de conhecimento e abordagem sobre o que realmente propõe as metas, e de que forma pode-se alcançá-las.

Enxergar e aproveitar oportunidades são essenciais para a cultura empresarial. Fazê-lo em sintonia com a edificação de uma sociedade mais justa é o alicerce do conceito de responsabilidade social. O momento é de empregar esta força em favor de um país menos desigual e trabalhar intensamente. A sociedade brasileira tem que aprender a cobrar resultados e ser capaz de mobilizar energias, não deixando que a conseqüência natural do descaso e a freqüente falta da valorização por parte das autoridades nacionais levem à oportunidade de concretizar a tão sonhada qualidade de vida.

Fabián Echegaray, é cientista político e diretor da Market Analysis

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