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ano IV - edição nº 10 - Janeiro de 2008 Topo
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Blogueiro corporativo: quais os riscos e vantagens para a imagem do executivo

Cristina Nogueira

Assunto do momento, os blogs estão cada vez mais roubando a cena no mundo Web, se tornando referência e fonte de informação. Criados e alimentados por homens e mulheres de variadas idades, educação, vivências e, principalmente, opiniões, essa nova mídia vem ganhando espaço com seus inúmeros debates online.

Só para termos uma dimensão do tamanho desta comunidade, a Technorati estima que atualmente existam 100 milhões de blogs que postam 1,7 milhão de novos comentários todos os dias. No Brasil, os jovens com menos de 25 anos são a mais forte presença e representam 74% dos blogueiros. Apenas 5% possuem mais de 40 anos. Dos 20 milhões de internautas residenciais, cerca de 50% lêem blogs.

Assim, o mundo corporativo, que a cada dia procura inovar maneiras para se comunicar com os seus mais variados públicos, também adotou o blog como uma de suas ferramentas oficiais. Alguns problemas surgem quando os executivos postam comentários que ultrapassam a linha tênue entre suas opiniões pessoais e a opinião da empresa por ele representada sobre determinado tema.

Cristina Nogueira, presidente da Axialent no Brasil, explica que a questão dos blogs ainda é muito nova no País e existe uma preocupação por parte das empresas com o tempo que o executivo gasta postando comentários e com seu marketing pessoal. “Em termos de carreira, não vejo o blog como um grande diferencial. Como qualquer outra ferramenta de tecnologia, a sua utilização de forma efetiva é que poderá tornar-se um diferencial”, comenta a consultora.

Apesar de defender uma postura mais reservada, a consultora Cristina conversou com a equipe de Only for Analysts e fala como os executivos devem se portar caso decidam abrir este espaço no mundo virtual. Leia a seguir os principais trechos desta entrevista:

OfA: O que difere um blog corporativo de um pessoal quando remetemos à imagem de um executivo?
Cristina: A idéia do blog do executivo é compartilhar com outros internautas o que ele pensa e não a visão da empresa. Porém, as pessoas tendem a confundir suas opiniões com as da companhia e vice-versa. Pode haver até mesmo discussões políticas, mas é difícil que o executivo tenha liberdade de expressar opiniões pessoais, sem interferir na imagem da empresa. Ao contrário de um profissional autônomo ou um escritor, por exemplo, o executivo tem de estar alinhado ao discurso da empresa. Precisa estar consciente de que carrega a imagem dela e não apenas a sua própria.

OfA: Como este executivo blogueiro deve se portar ao postar comentários?
Cristina: Ele tem de estar muito consciente e refletir quais são as possíveis leituras, tanto positivas quanto negativas, para não cair em contradições. Um blog que não é dinâmico, não agrega. Tem que saber utilizá-lo como mais uma ferramenta de comunicação. Deve ser positivo e transparente. O conceito da transparência é mundial, ou seja, é falar sem restrições.

OfA: Como melhor apresentar a opinião subjetiva, característica dos blogueiros?
Cristina: Reconhecer que aquilo é subjetivo. Explicar o contexto e o interesse por trás daquela idéia. É muito comum ver discussões de pontos de vista, que não trazem o cenário. O interesse maior tem de ser a resolução do problema e não só expô-lo. As pessoas têm uma postura que demonstra a falta de curiosidade e vontade de aprender com o outro e se vêem muito à vontade para expor suas idéias, mas têm pouco interesse em ouvir a opinião do outro. Em muitos casos falta a interação para uma conversa produtiva.

OfA: O que é necessário levar em consideração ao optar por criar um blog?
Cristina: A maior armadilha é a interpretação do leitor, que pode ser totalmente incompatível com o que o executivo quer transmitir. Por outro lado, positivamente, cresce nas corporações o conhecimento da equipe sobre o discurso da direção. Neste caso o blog funciona como veículo de transparência e rapidez na comunicação da empresa. Já vi casos em que os presidentes escrevem, mas as equipes não se manifestam por que as pessoas só falam o que não têm medo de falar ou de perguntar, tornando o blog uma ferramenta de cunho mais superficial.

OfA: Quais as armadilhas que o autor precisa evitar?
Cristina: A principal armadilha é lembrar que será interpretado livremente pelas pessoas que o lêem. Não é possível ter controle sobre isso. Quem disse que vão ouvir o que você quer falar? A sua imagem está sendo construída pela interpretação das pessoas, e não pelo que você está falando.

OfA: Como negociar os posts referentes aos comentários?
Cristina: Este é o grande perfil de liderança que nem todo mundo tem. Criar regras de convivência, como uma comunidade blogueira. Um blog não deixa de ser um debate, com opiniões divergentes, mas você tem que saber conduzir de forma que as pessoas se respeitem. Não vejo diferença em um blog ou em uma reunião presencial, quando pode haver desrespeito pessoal. A pessoa que lidera um blog tem que fazer isso como quem lidera qualquer outro projeto.

 
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