S2 Comunicação Integrada
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ano V - nº 13 - março de 2009
Artigo
 

Mobilidade: sinônimo de eficiência e qualidade de vida

Jairo OkretO número de executivos que vivem e executam suas atividades profissionais e pessoais com o auxílio de aparelhos móveis de comunicação aumenta a cada dia. Segundo dados divulgados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), a quantidade de telefones celulares no mundo pode chegar a quatro bilhões até o final deste ano. O Brasil, 5º maior mercado do mundo e um dos que apresenta maior crescimento, deverá em breve alcançar a marca dos 150 milhões de aparelhos celulares em uso.

Além de este crescimento incidir em diversos segmentos, também ocorre na forma de utilização dos aparelhos e serviços. Um dos destaques é o uso profissional (ou executivo), permitindo a manutenção de uma comunicação intensiva (de voz e dados), aliada à mobilidade pessoal. Uma evidência deste fenômeno está na crescente presença e visibilidade dos smartphones. Outra evidência é a inclusão de aparelhos móveis (celular, PDA, laptops etc.) entre os benefícios oferecidos pelas empresas ao lado de outros mais tradicionais, como plano de saúde.

Esta tendência é reforçada por três fatores: mudança organizacional com estruturas de organizações matriciais e a mobilidade como uma alternativa à mudança física; mudança tecnológica com disponibilidade de coberturas e velocidades adequadas, existência de novos aparelhos sofisticados e a integração com as soluções corporativas; e ainda a mudança cultural com o executivo em busca do equilíbrio entre uma atividade profissional altamente demandante e ainda com tempo para cumprir suas responsabilidades pessoais e ter qualidade de vida.

O uso de recursos tecnológicos pode envolver o cargo ou a natureza do negócio. A atuação de profissionais de vendas, ou de postos estratégicos, como o CIO de uma empresa, requer estas ferramentas. Isso porque, sempre que há processos críticos, o tempo de acesso às informações passa a ser fundamental para as tomadas de decisão. Quem mantém contato direto com empresas internacionais, e tem de enfrentar o fuso horário, vê nos equipamentos móveis de telecomunicações, uma oportunidade de, diante das necessidades atuais, ganhar mais qualidade de vida.

Se, por exemplo, acontece algum problema com a parte de TI de uma empresa, que impossibilite sua operação, o primeiro executivo a ser procurado pelo CEO é o CIO, que de onde estiver, tem de estar ciente dos acontecimentos, e ser capaz de resolvê-lo, mesmo à distância. Há quem diga que celulares atrapalham a privacidade do profissional, mas, diante das necessidades atuais, nossas pesquisas demonstram que seu efeito real é permitir que o executivo ganhe em qualidade de vida. Ele pode resolver os problemas muitas vezes sem ter de sair de casa ou ter de estar no escritório, não se privando assim do convívio familiar.

Temos observado como executivos se adaptam e obtém vantagem das novas tecnologias. Recentemente estive reunido com um presidente de empresa. Reparei que ao sentar-se, ele imediatamente colocou seu smartphone sobre a mesa. Ele me disse que sentia que o celular era para ele como a clava para o homem pré-histórico, sair da caverna sem ela seria colocar a vida em risco e possivelmente não conseguir trazer caça para casa! Este executivo está constantemente em movimento, visitando clientes, longe de sua família, mas mesmo assim se mantém em contato próximo; todos os dias, sua última atividade é dizer “eu te amo” à suas esposa e filhas.

Outros executivos, no entanto, ainda demonstram mais dificuldades e o celular se torna um elemento perturbador, interferindo em reuniões, interrompendo conversas e fazendo com que o trabalho invada seu lar e suas atividades de lazer. Um grupo menor rejeita a mobilidade, não encontrando valor ou facilidades e se recusando a possuir ou utilizar os dispositivos de comunicação móvel.

Ainda é prematuro dizer como será o processo de adaptação dos executivos à comunicação móvel. Mas está claro que a mobilidade chegou para ficar e este cenário global aponta para a existência de um novo conjunto de habilidades necessárias para os profissionais que desejam e precisam tomar decisões com agilidade e de qualquer lugar. Estas habilidades são possíveis de serem identificadas por meio de um processo de avaliação de competências. E existem várias maneiras de desenvolvê-las dependendo da demanda. Mas a conscientização que a mobilidade irá requerer mudanças importantes no perfil de competências é um passo importante ainda a ser dado.

* Jairo Okret é sócio-diretor da Korn/Ferry, responsável pela prática de Tecnologia.

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